Perfil coworker do mês Omar Fernandes, da Olaa Arquitetos

O perfil do Coworker do mês de Novembro é com um dos nossos primeiros clientes: Omar Fernandes, arquiteto e urbanista, fundador da Olaa Arquitetos.

Omar tem 43 anos e quase 20 anos de carreira. Vamos conhecer um pouco mais sobre ele?

Estudio Capanema: Omar, você abriu o Olaa em 1996 após a sua formação profissional. Em qual momento decidiu ser dono do seu próprio negócio? E como foi esse processo de transformação na sua carreira?

Omar: Ao planejar concluir a faculdade em menor tempo possível e estagiar em escritórios de arquitetura da capital durantes as férias universitárias, pude entrar no mercado de trabalho cedo. Tinha convicção de que o melhor momento para iniciar um negócio de prestação de serviços seria naquela fase onde o meu tempo, energia e liberdade eram maximizados. Absorvi experiências tanto na área da arquitetura como na administração e gestão de um escritório. Tive uma fundamental parceria com minha irmã Luciana, também arquiteta recém formada, nessa empreitada.

No início os clientes eram familiares ou conhecidos próximos que nos confiaram pequenos projetos de reformas.  Os resultados mostravam um grande esforço e compromisso, e principalmente pela certeza de ter escolhido a profissão certa, onde o trabalho e prazer eram um só.

Estúdio Capanema: Quantos arquitetos trabalham na Olaa hoje? Sempre foi assim?

Omar: Em quase 19 anos de atividades a Olaa passou por vários momentos, uns com grande demanda de trabalho e outros com menos. Estagiários de arquitetura, desenhistas, arquitetos, administradores, engenheiros, as equipes sempre se formaram de acordo com o projeto e obras contratadas.

A ideia de montar uma equipe fixa que perdurasse durante anos nunca foi o modelo, pois buscava as qualificações que eram necessária no mercado. Um exemplo disso foi quando enfrentei o desafio de projetar o primeiro edifício. Contratei um arquiteto mais experiente que me deu o respaldo técnico que me faltava para executar profissionalmente o trabalho. Não houve ganhos financeiros, mas um enorme aprendizado.

Desde então procuro montar equipes de trabalho que se encaixam no perfil do projeto. Essa liberdade de atuar e captar bons profissionais foi um ponto certeiro.

Estúdio Capanema: Você é um dos primeiros hóspedes do Estúdio Capanema, como vê esse modelo de negócio para o seu negócio?

Omar: Depois de 12 anos com o escritório (espaço físico) próprio, com muito espaço e localizado em bairro nobre da cidade, vi que não tinha sentido disponibilizar um imóvel daquele apenas para ser sede do escritório.

Outras possibilidades de investimentos com esse montante de valor eram mais interessantes. Fomos para um novo escritório onde o espaço e serviços básicos eram compartilhados com outros 3 empresários. Foi um excelente momento pois existiam trocas de experiências e oportunidades de novos trabalhos dentro do próprio escritório. O ambiente tinha características mais corporativas e de alto padrão. Porém os custos a serem divididos ainda eram bastante altos.

Na época pesquisei bastante por novos modelos de como montar um novo espaço de trabalho, desde locar e compartilhar um novo espaço com características mais voltadas à estúdio de arquitetura, até o conceito de construir um imóvel onde fosse possível morar e trabalhar no mesmo endereço. Cheguei até a projetar uma casa para isso.

Porém a decisão de não engessar o patrimônio e o espaço físico que ocuparia me levou a conhecer o modelo de coworking.

Essa palavra era até desconhecida no momento. Encontrei o Estúdio Capanema dentre outros poucos existente e identifiquei o espaço, localização e ambiente com o meu negócio. Fazia todo o sentido com o que vinha lidando há anos em relação a ocupação de espaço e gestão de negócio. Tenho flexibilidade de aumentar ou diminuir posições de trabalho conforme a demanda de projetos, ter maior troca de informações e experiências com outras áreas profissionais e sobretudo não demandar meu tempo para a gestão do próprio espaço. Enfim tudo isso se traduz em otimização de recursos e competitividade no mercado.

Estúdio Capanema: Você atua em várias áreas dentro da arquitetura, como começou a desenvolver o seu trabalho de designer de objetos?

Omar: Sempre fui atento ao design de forma geral.

No início, quando os projetos de arquitetura eram poucos no escritório, usava meu tempo disponível para criar peças. Algumas luminárias tiverem reconhecimento na mídia e em premiações.

Com a elaboração dos projetos de arquitetura de interiores, sempre tive a disposição de projetar também alguns mobiliários especiais ao ter apenas de encomendá-los em lojas. Isso torna os resultados mais personalizados.

Estúdio Capanema: Após todos esses quase 20 anos de profissão, como você enxerga a sua carreira hoje, comparado com o início?

Omar: A arquitetura, quando bem feita, é uma convergência de vários esforços e conhecimentos, feitas quase sempre por grupos multidisciplinares.

Lidar bem com isso só é possível com a evolução e acúmulo de experiências. Depois de 2 décadas me sinto um jovem arquiteto ainda com muito a aprender, porém com amadurecimento pessoal, fundamental para quem trabalha com projetos e planejamentos. 


Estúdio Capanema: Qual foi o momento em que você começou a atuar com intervenção urbana?

Omar: Acredito que ser urbanista é a escala mais nobre da profissão. É poder planejar os espaços de uso coletivo. E isso é complexo. Tenho feito alguns projetos de loteamentos e condomínios. Diferente dos habituais planejamentos urbanos onde o foco é o lucro sobre o terreno, tenho buscado aumentar o valor imobiliário não só com a máxima ocupação, mas com a boa qualidade do espaço. Um bom exemplo disso foi inserir uma praça pública em um loteamento popular onde não existia a obrigatoriedade por parte dos órgãos públicos. O bairro tornou-se mais interessante e valorizado em relação aos demais empreendimentos locais.

Estúdio Capanema: Como o mercado foi desenvolvido nesse meio tempo?

Omar: De forma geral, vejo o mercado de arquitetura preso às decisões do mercado imobiliário, ao fato de o que se constrói é vinculado exclusivamente à lucratividade do setor. Acredito que no passado isso já foi bem pior. Hoje as pessoas estão entendendo que a qualidade da arquitetura tb é decisiva na compra de um imóvel.

Estúdio Capanema: Como você define a sua arquitetura?

Omar: Simplicidade, mesmo que feita com muito recurso e tecnologia. Sustentável tanto na implementação qto no uso. Poética sem deixar de ser técnica.

Estúdio Capanema: Quais são suas obras arquitetônicas preferidas?

Omar: Tenho várias referências que admiro muito. Em cada momento da história tem uma relevante. Se para citar uma, Duomo di Brunelleschi.

Estúdio Capanema: O que você espera para o futuro da arquitetura e a relação das pessoas com a área, já que estamos em um momento de ocupação urbana, exemplo da ocupação do minhocão, paulista, etc. ?

Omar: Espero que a arquitetura seja direcionada ao movimento sustentável dos recursos naturais.

Temos que ter a consciência de que a construção civil é uma das atividade humanas que mais impacta na qualidade do nosso planeta.

No caso do minhocão estão surgindo novas ideias. Uma delas que aprovo é o uso das empenas cegas como jardins verticais. É um começo para a melhorias da região. A população precisa vivenciar esse benefício que terão para poder aceitar planos mais ousados.