Perfil coworker do Mês, Guilherme Lima, da Ponto Futuro Consultoria

O perfil coworker do mês de Dezembro é o Guilherme Lima.

Guilherme é formado em engenharia de produção com mestrado em administração de empresas. Em 2010 ele fundou a Ponto Futuro Consultoria.

Estúdio Capanema: Guilherme, como surgiu a ideia de abrir a Ponto Futuro Consultoria? Você já tinha experiência nessa área?

Guilherme: Trabalho com consultoria de gestão desde 2000, tanto em empresas internacionais de renome (A.T. Kearney, Roland Berger), quanto atuando dentro de empresas de grande porte (MasterCard).

A ideia da Ponto Futuro surgiu a partir da realização, em dado momento da carreira, que embora nossa vocação fosse a de ser consultores, o modelo de negócios e carreira das grandes consultorias, com seus conflitos de interesses e outros problemas, não nos atraía mais.

Estúdio Capanema: Quantas pessoas trabalham na P.F.C? Quais são as áreas de formação de todos vocês?

Guilherme: Hoje somos 4 consultores. Coincidentemente todos engenheiros, mas isso não é uma obrigação. Já tivemos administradores, economistas, estatísticos... O fundamental é ter uma boa capacidade analítica e curiosidade intelectual para resolver problemas que, não raramente, ainda não foram sequer formulados corretamente.

Estúdio Capanema: Qual é o perfil do cliente de vocês e como é feita a prospecção?

Guilherme: Quase a totalidade dos nossos clientes chega a nós via recomendação de outros clientes, ou eventualmente de colegas que conhecemos ao longo de nossas carreiras como consultores. Consultoria é um negócio que depende fundamentalmente de confiança e credibilidade, e estes são ativos que tem que ser cultivados ao longo dos anos.

Estúdio Capanema: Quais são os maiores benefícios em contratar uma consultoria como a Ponto Futuro Consultoria?

Guilherme: Acredito que o principal benefício de se contratar uma consultoria como a nossa seja o de acelerar a resolução de um problema crítico para a empresa, trazendo conhecimentos e experiências específicas, além da capacidade de foco e concentração que muitas vezes o cliente não consegue mobilizar.

Estúdio Capanema: Qual é o diferencial da P.F.C?

Guilherme: Creio que é a dedicação real de recursos sênior ao projeto, que normalmente não ocorre com consultorias de médio e grande porte, e que permite alinhar os resultados do projeto com as necessidades da liderança dos clientes, além da nossa capacidade de estruturar os problemas de forma objetiva, e capturar os elementos essenciais para a sua solução.

Estúdio Capanema: Quantos clientes vocês têm hoje em dia?

Guilherme: Nos últimos anos, decidimos priorizar qualidade sobre quantidade de projetos. Desta forma, via de regra não temos mais de 3 projetos rodando ao mesmo tempo. Ainda assim, ao longo de 2015 conseguimos entregar 8 projetos para 6 clientes diferentes, sendo que alguns deles nos contratam desde o nosso primeiro ano.

Estúdio Capanema: Como seus clientes estão reagindo a esse momento de crise?
GuilhermeBuscando alternativas táticas de curto prazo para atravessarem estes anos difíceis, seja no campo de receitas, otimizando a precificação de produtos, seja no campo dos custos e despesas.

Estúdio Capanema: Para a consultoria esse momento de desaceleração é uma oportunidade?

Guilherme: Sim, até certo ponto. Os clientes estão em um momento em que necessitam de apoio qualificado, e precisam rápido, de modo que estamos bastante demandados. A questão é o quanto tempo mais o empresariado vai conseguir sobreviver estando estrangulado em termos de caixa e crédito.

Estúdio Capanema: Como é estar dentro de um Coworking? Vocês têm colegas que viraram clientes?

Guilherme: O modelo do Estúdio Capanema cai como uma luva para as nossas necessidades, pois nos permite encolher e ampliar nossas posições conforme a demanda do mercado, sem precisarmos empatar capital com cadeiras e mesas, perder tempo consertando a internet, e nos comprometer com custos fixos no longo prazo.

Se não me engano, somos os clientes mais antigos “em atividade” do Estúdio, ficando aqui desde que as instalações eram apenas 2 bancadas no 6º andar. Ficamos felizes de ver que o modelo deu muito certo com o passar dos anos. Ainda não tivemos clientes coworkers, embora as conversas de café já nos tenham dado boas idéiasO contrário já funcionou, entretanto: já usamos os serviços de tradução do pessoal da LEC School, e somos clientes do Farofa.la, ambos ex-coworkers do Estúdio.

Estúdio Capanema: Tem algum recado para passar para os empresários nesse momento de crise?

Guilherme: Infelizmente, não estamos otimistas. No fim do ano passado fizemos um paper para nossos clientes no qual afirmávamos que as projeções do mercado subestimavam a recessão que se iniciava; este ano, não tivemos tempo para atualizá-lo, mas replicando as análises podemos antever que para a economia como um todo, o ano que vem será igual ou pior do que 2015Estamos falando de -3% de PIB ou menos. Ou seja, é hora de ser extremamente cuidadoso com a alocação de recursos e buscar preservar o caixa de gastos não essenciais. Obviamente, para quem está capitalizado e sem dívidas o cenário abre oportunidades para comprar bons ativos na “bacia das almas”. Mas, grosso modo, não dá para prever nenhuma melhora antes da segunda metade de 2016. Aquele velho clichê do “ideograma chinês que representa crise e oportunidade ao mesmo tempo” é útil para palestras motivacionais, mas não como premissa de planejamento no Brasil de hoje.